12.4.14

Janela da alma


Você transborda intensidade e eu tento te dizer que a minha alma não comporta tanto. Tem resquícios de vidas passadas aqui dentro que não deixam mais nada entrar. Eu e a minha mania de guardar coisas velhas. Você e sua mania de querer engolir um planeta inteiro sem pausas. Dentre tantas virtudes, te falta paciência. Em minha pele você vai escrevendo esse amor enquanto crava as unhas na curva da minha costa. Cada vez mais profundo. Espere um pouco, mon cher. Só mais um pouco e você me atinge a alma. Aos poucos ela vai ficando leve pra caber você. Você me aperta como se seus dedos pudessem atravessar a pele, músculos e ossos. Você e sua mania de achar que eu caibo na palma das mãos. Use os olhos, baby. Eu me vejo refletida nos seus. Eu já estou dentro de você. Atravesse os meus olhos, querido. Me invada sem que eu perca a visão. Esteja refletido neles. Cada vez mais.