22.10.17

O versinho que não é um versinho


Me abraça, me puxa, me segura, me tem. Não me afasta. Me traz pra perto, pra junto, pro lado. Me mantém. Às vezes, os ventos quase me levam. Me busca

16.10.17

Sobre colisões


Você poderia ser terra firme, porto seguro, mão entrelaçada, abraço quente, passo firme. Eu te dei espaço pra ser tanto e você, se achando esperto, se contenta com a beirada, com o raso, com o pouco. Você, sempre tão cheio de si, acha mesmo que o tempo trabalha ao seu favor e que vai te permitir experimentar de tudo sem fazer parte de nada. Mas, deixa eu te dizer, a vida é pra quem se envolve, pra quem sabe mergulhar.

Nosso encontro foi feito a colisão de dois corpos celestes, a explosão mais linda de todas, nossos batimentos acelerados ecoaram no momento exato do toque e fomos desmanchando até estarmos tão misturados a ponto de não sabermos o começo e o fim. Nunca houve encontro melhor. Você sabe. Mas, coberto de toda a sua teimosia, você ainda se permite abrir os dedos e nos deixar escapar. Vai sobrando pouco de nós, devagar vamos cabendo bem no centro da mão, e já não escorremos tanto entre os dedos porque somos pequenos grãos. Poucos. Olha pra toda a imensidão que já fomos e me diz, de uma vez, se essa é a melhor versão da nossa história. Olha pra mim, aqui e agora, antes que eu escape também. Eu seria capaz de me desmanchar em milhões de outro pedaços, ou gotas, ou partículas, pra você ser feliz. Mas, graças a toda dor que caminhos longos causam em nossos pés, eu aprendi também que apesar daquele pensamento de que a gente não deve fazer algo esperando alguma coisa em troca, isso não significa que a gente não mereça receber. E quer saber? Eu mereço. Eu sou inteiro amor por você, e por isso não posso ficar com o seu 1/3. Aliás, o amor é a única coisa que resta quando não nos resta mais nada. O que vai restar pra você? 


Nessa cidade nunca houve algo feito nós.
Você devia abraçar isso e não soltar nunca mais.